"...para ser lido da mesma forma como muitas vezes os gatos entram na nossa vida... ou seja, ao acaso..."
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sexta-feira, 17 de outubro de 2025
sexta-feira, 25 de abril de 2025
25 DE ABRIL SEMPRE!
A revolução é como a primavera
Regenera!
A nossa revolução aconteceu na primavera
Pudera!
A nossa revolução tem nome de flor
E toda a flor quer ser floresta
Foi uma festa!
As ervas daninhas deixaram de ser pisadas
As aves canoras deixaram de ser caladas
As vinhas encheram mais copos para brindar à paz
e fazer dançar os corpos
As searas de trigo passaram a dar mais pão
partilhado de mão em mão
Porque aquela fome de cão outra vez?
Nem mortos!
Mas passada a primavera,
chegados à maturidade,
cientes do que nos espera
perante a calamidade
Diante do longo inverno
Do calor de mil infernos
Diante da fúria dos elementos
Destes tempos, incertos
Haverá outra causa tão urgente como a sobrevivência?
Chegados aqui, conscientes,
munidos de toda a ciência,
haverá coisa mais premente
do que salvar toda a gente?
Do que a nossa mera existência?
segunda-feira, 31 de março de 2025
sexta-feira, 8 de março de 2024
terça-feira, 7 de abril de 2020
Dia 23* - ostra feliz não faz pérola
Passiflora, estranha e bela como a do maracujá
A minha flor é Florbela e espanca o teu patoá
Não me espanta se essa gera não me alcança e digo já
P'ra essa fauna, como Flora eu vou só "deixá
brilhá"
Vou sem culpa, sou adulta, e muito culta para agradar
Estou na luta e na disputa não me custa dominar!
Fosse fácil, eram muitas, se fosse doce eram mais
Não me moldo nem ao soldo, nem à bênção dos demais
Eles preferem os discos que ainda não saíram
Eles preferem promessas daqueles que desistiram
Eles preferem os mitos dos que podiam ter sido
Dos que podiam ter feito, do que queriam ter ouvido
Preferem os mortos, eles fartam-se dos vivos
Eles fartam-se dos discos, eles preferem os vídeos
Eles querem-nos mansos, criados, mal sucedidos
Senão somos vendidos, somos pouco alternativos
E se sai um disco novo perguntam quando é o próximo
E em seguida disso “porquê o pseudónimo?”
E é óbvio, pérolas a porcos
Com as feras a postos, só para te mastigar
Com síndroma de porteiro de discoteca!
Não sou cool p'ra esses cínicos
Nem nova p'ra esses críticos
Que procuram girinos de novas cenas indígenas
Farta de sabidos pseudo profetas
“Júlio Isidros” dessas raras descobertas
Não sou teen p'ra esses putos
Nem ligo puto a esses grupos
Os que ditam o futuro do mundo
Estou nos antípodas
Dizem-se lendas quando as lendas somos nós
E não sabem que na história, nem vê-los, estaremos sós!
E depois os puritanos, que desdenham do sucesso
E depois de tantos anos se defendem no começo
E que eu conheço do meu tempo
E a quem digo que o que eu faço
É o mesmo de sempre, é hip hop clássico!
E não disfarço que o levo a novo público
Que eu abraço e acolho com orgulho
E que o hip hop que eu quero para o futuro
Não será conservador, nem machista, nem burro!
Por isso estranhem-me, porque eu entranho-me
Fora da caixa, Passiflora, mantenho-me!
Por isso apanhem-me, se conseguirem
Eu fujo à regra porque a regra restringe-me!
E se me afasto não será presunção
A distância entre nós é só a comparação
Não fiz hits de verão e não é por não saber como
Não sou cena do momento
E ao tempo que eu estou no topo
Não confundam o bom gosto com falta de público
E aproveitem este disco porque pode ser o último!
Na net a novidade é um triz, diz:
Se andas anos nisto é do risco que vives?
Selfies dão mais likes que um disco, diz-me:
Porque é que fazes isto, porque é tu que insistes?
Se é trap não é rap, se é hit leva hate
Boom bap é retrocesso, se é sucesso já é fake
Se tem putos bota fora, se não tem views é um flop
Se é adulto já é cota, transversal não é hip hop
“É conhecido? Já não curto, curtia mais o primeiro.”
“É repetido ou muda muito, não vale a pena o dinheiro”
Se fosses mais bonita, mais sexy, na moda
Ou um homem, mais jovem, mais dentro da norma
Terias mais alcance, mais chance, na indústria
Se fosses mais dócil, mais fácil na música?
Terias mais views, mais likes, mais público
Se fosses mais hipster, se fosses mais estúpida?
Terias mais fãs, mais buzz, mais glória?
Para quê o hype se eu prefiro fazer história?
Passiflora, a minha beleza é estranha
Meu fado chora mas move montanhas
Eu ofereço a minha voz
Flor que se dá
Estranha e bela
Como a do maracujá
Eu ofereço a minha voz
Flor que se dá
Estranha e bela
Como a do maracujá
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Eles têm medo de que não tenhamos medo
Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!
Medo de Deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do "eu bem te disse",
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do Apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.
Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!
Medo de Deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do "eu bem te disse",
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do Apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.
Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…
O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.
Mete medo, não mete...?
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