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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Dia 38* - quando a voz me dói

O Coordenador do COCS enviou (provavelmente à um mês...) um mail motivacional aos participantes, no sentido de realizarem um video em que deveríamos cantar a primeira parte da obra, que teria sido apresentado na Páscoa, se tudo estivesse bem...
Ok....
e cadê a voz...?
onde anda ela...?
terá ido fazer companhia ao riso e à gargalhada...?
à dias visitei  o blog luis soares ,como quase diariamente faço, e dei com esta maravilha.
os sinos tocaram na minha memória e andei a remoer o desafio feito pelo nosso coordenador...
primeiro dancei  até que o corpo se cansou...
mais uns dias se passaram... e eu a remoer...
no ultimo sábado, depois de me insultar de todas as formas que uma mulher do norte sabe..... cantei!
...mas fui pouco convincente... não voltei a cantar e isso chateia-me muuuuuuuuuuuito.

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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Dia 32* - a pista de atletismo

o meu prédio é como uma aldeia do interior do nosso país: muita idade junta em muito poucos habitantes.
evidentemente parca em infantes. 
porque os deuses assim decidiram, calhou-me o mais infante deles, mesmo ao ladinho. 
sorrio de cada vez que o ouço percorrer a pista de atletismo com 7 metros  que é o corredor da casa. 
sorrio ainda mais quando dou conta que nunca mais o ouvi chorar. 



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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Dia 31* - impermanência

às 17:30 comemoramos 24 anos de convivência.
pela primeira vez por videoconferência.
todos sabemos que mais tarde ou mais cedo não estaremos presentes nesta festa, porque a vida assim se desenrola.
foi assim com os meus pais e terá(?) que ser com a prole.
dei sempre por adquirido que a decisão de festejarmos juntos, fosse uma opção só nossa, nunca de um covid qualquer (PQP).
não sou nada dada a comemorações de natais, páscoas, passagens de anos.
mas celebrar 24 anos (e os 25 e os 26 e os 27.........) de VIDA, mais os 9 meses que antecedem aqueles, será sempre uma festa!



(Estas Tonne foi descoberto pela prole - práí à 5 anos -  que me mostrou cheio de alegria por encontrar coisas que sabia que eu gostaria)

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segunda-feira, 13 de abril de 2020

Dia 29* - o riso não fácil

...já conto pelos dedos os momentos de gargalhada.
rir é terapêutico para mim (assim como chorar).
desconfio sempre das receitas para rir , principalmente quando os olhos da "mestra" não riem.
quando olho para a fotografia, em vez de rosto sorridente, vejo máscara para a fotografia (quem pensa que engana?).
nada como a sugestão do Arpose, para ajudar a resolver este escassear de gargalhada.
estes filmes trazem o rir solto, tolo, infantil, desbragado, sem cronómetro para medir os 10 minutos aconselhados pela "mestra".


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domingo, 12 de abril de 2020

Dia 28* - um embuste perfeito...

...ou como os humanos adoram fábulas

"A expressão mais alegre da natureza: nos passarinhos nem sequer o medo é verde e abjecto como nos homens, e não por se esconder debaixo das penas, pois aparece de forma evidente, sem alterar de modo nenhum o seu elegante organismo. Deve-se, pois, crer que os seus cerebrozinhos não o conheçam. O alarme advém da vista ou do ouvido e, com a pressa, passa directamente para as asas. Mas que bela coisa um cerebrozinho desprovido de medo num organismo em fuga! Um dos bichinhos sobressaltou-se? Fogem todos, mas de um modo que parece que dizem: eis uma boa ocasião para ter medo. Não conhecem hesitações. Custa tão pouco fugir quando se tem asas. E o seu voo vai seguro. Evitam os obstáculos roçando neles e atravessam o mais denso emaranhado de ramos de árvore sem se deixarem prender ou ferir. Pensam apenas quando já estão longe e procuram então compreender o motivo da fuga, estudando lugares e coisas. Inclinam, graciosos, a cabecinha para a direita e para a esquerda, esperando pacientemente poder regressar ao sítio de onde fugiram."




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sábado, 11 de abril de 2020

dia 26 e 27* - angst - um médico da angústia

"No futuro - talvez daqui a cinquenta anos, quem sabe quando? - , esse tratamento através da conversa poderá tornar-se banal. Os "médicos da angústia" tornar-se-ão uma especialidade característica. E as faculdades de Medicina, ou talvez os departamentos de Filosofia, prepará-los-ão.
O que deverá conter o currículo do futuro "médico da angústia"? De momento posso ter a certeza de uma cadeira essencial - "relacionamento"! É aí que as coisas se complicam. Assim como os cirurgiões precisam primeiro de aprender anatomia, o futuro "médico da angústia" primeiro precisa de entender o relacionamento entre o que aconselha e o aconselhado. E, caso eu deva contribuir para a ciência de tal aconselhamento, tenho de observar o relacionamento tão objectivamente como o cérebro dos pombos.
Observar um relacionamento não é fácil, quando eu mesmo faço parte dele."

Irvin D. Yalom in Quando Nietzche chorou




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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Dia 25* - Howard Beale

...corria o ano de 1976.
tinha eu 15 anos.
ainda hoje sinto embaraço quando vejo fotos ou filmes dessa década.
mesmo agora, que já mudei de opinião em relação a tantos assuntos (decisão que aplaudo), continuo a pensar que foram os 10 anos mais pirosos de que me lembro!
por causa deste preconceito, recuso muito o que se fez nessa época.
à dias (terão sido dias...?) decidi gravar, no canal RTP Memória, o filme Network, de Sidney Lumet.
não conheço todos filmes dele (mais de 50) mas há um que me marcou muito (que, por sinal, não pertence a essa década tão fatela).
Network é um grandessíssimo filme! mas quem o faz tão grande? Paddy Chayefsky.
cada diálogo ou monólogo é um manjar dos deuses.
o que faz de Sidney Lumet grande?
ter criado Howard Beale para dar voz a Paddy.



e porque a dialéctica é importante, criou Arthur Jensen



um senhor!

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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Dia 24* - dedicada ao covid-19 (porque a vingança é um prato que se serve frio)


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal





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terça-feira, 7 de abril de 2020

Dia 23* - ostra feliz não faz pérola

Passiflora, estranha e bela como a do maracujá
A minha flor é Florbela e espanca o teu patoá
Não me espanta se essa gera não me alcança e digo já
P'ra essa fauna, como Flora eu vou só "deixá brilhá"
Vou sem culpa, sou adulta, e muito culta para agradar
Estou na luta e na disputa não me custa dominar!
Fosse fácil, eram muitas, se fosse doce eram mais
Não me moldo nem ao soldo, nem à bênção dos demais
Eles preferem os discos que ainda não saíram
Eles preferem promessas daqueles que desistiram
Eles preferem os mitos dos que podiam ter sido
Dos que podiam ter feito, do que queriam ter ouvido
Preferem os mortos, eles fartam-se dos vivos
Eles fartam-se dos discos, eles preferem os vídeos
Eles querem-nos mansos, criados, mal sucedidos
Senão somos vendidos, somos pouco alternativos
E se sai um disco novo perguntam quando é o próximo
E em seguida disso “porquê o pseudónimo?”
E é óbvio, pérolas a porcos
Com as feras a postos, só para te mastigar

Com síndroma de porteiro de discoteca!
Não sou cool p'ra esses cínicos
Nem nova p'ra esses críticos
Que procuram girinos de novas cenas indígenas
Farta de sabidos pseudo profetas
“Júlio Isidros” dessas raras descobertas
Não sou teen p'ra esses putos
Nem ligo puto a esses grupos
Os que ditam o futuro do mundo
Estou nos antípodas
Dizem-se lendas quando as lendas somos nós
E não sabem que na história, nem vê-los, estaremos sós!
E depois os puritanos, que desdenham do sucesso
E depois de tantos anos se defendem no começo
E que eu conheço do meu tempo
E a quem digo que o que eu faço
É o mesmo de sempre, é hip hop clássico!
E não disfarço que o levo a novo público
Que eu abraço e acolho com orgulho
E que o hip hop que eu quero para o futuro
Não será conservador, nem machista, nem burro!
Por isso estranhem-me, porque eu entranho-me
Fora da caixa, Passiflora, mantenho-me!
Por isso apanhem-me, se conseguirem
Eu fujo à regra porque a regra restringe-me!
E se me afasto não será presunção
A distância entre nós é só a comparação

Não fiz hits de verão e não é por não saber como
Não sou cena do momento
E ao tempo que eu estou no topo
Não confundam o bom gosto com falta de público
E aproveitem este disco porque pode ser o último!
Na net a novidade é um triz, diz:
Se andas anos nisto é do risco que vives?
Selfies dão mais likes que um disco, diz-me:
Porque é que fazes isto, porque é tu que insistes?
Se é trap não é rap, se é hit leva hate
Boom bap é retrocesso, se é sucesso já é fake
Se tem putos bota fora, se não tem views é um flop
Se é adulto já é cota, transversal não é hip hop
“É conhecido? Já não curto, curtia mais o primeiro.”
“É repetido ou muda muito, não vale a pena o dinheiro”
Se fosses mais bonita, mais sexy, na moda
Ou um homem, mais jovem, mais dentro da norma
Terias mais alcance, mais chance, na indústria
Se fosses mais dócil, mais fácil na música?
Terias mais views, mais likes, mais público
Se fosses mais hipster, se fosses mais estúpida?
Terias mais fãs, mais buzz, mais glória?
Para quê o hype se eu prefiro fazer história?
Passiflora, a minha beleza é estranha
Meu fado chora mas move montanhas

Eu ofereço a minha voz
Flor que se dá
Estranha e bela
Como a do maracujá
Eu ofereço a minha voz
Flor que se dá
Estranha e bela

Como a do maracujá

segunda-feira, 6 de abril de 2020

domingo, 5 de abril de 2020

Dia 20 e 21* - "apenas o trocamos por outro"

«Eu sempre achei que os crentes  eram pessoas que se sentiam fracas e por isso veneram algo forte.» «Isso é o que eles pensam. O adorador dota de poder o objecto adorado, um poder real, não um poder imaginário, é esse o sentido da prova ontológica, uma das ideias mais ambíguas que os homens alguma vez tiveram. Mas este poder é uma coisa temível. O nosso deus é feito dos nossos desejos e dos nossos apegos. E quando nos desligamos de uma coisa, outra surge de imediato, à maneira de consolação. Nós nunca renunciamos inteiramente a um prazer, apenas o trocamos por outro. Toda a espiritualidade tende a degenerar em magia, e o uso da magia tem implícito uma nemésis automática, mesmo quando o espírito foi purgado dos hábitos mais grosseiros. A magia branca é uma magia negra. E qualquer intromissão menos que perfeita no mundo espiritual pode gerar monstros para os outros. Os demónios usados para o bem podem continuar por aqui e depois provocar estragos. O ultimo feito é abdicar completamente da magia, pôr fim aquilo a que chamas superstição . Mas como é que isso acontece? A bondade significa renunciar ao poder e agir negativamente sobre o mundo. Os bons são inimagináveis.»
O Mar, o Mar



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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Dia 17* - sal na ferida

e porque o som de martelo eléctrico  está a confundir-me os neurónios juntamente com uma, espero, noticia falsa (pois agora não a encontro em lado nenhum), das crianças que teriam sido mandadas para casa de um lar algures na zona norte do país e porque já não se aguentam as perguntas feitas pelos jornalistas (principalmente a Sandra Felgueiras que já tem idade para ter juízo) no fim das conferencias de imprensa diárias de ponto de situação, fica aqui uma bênção para o espírito




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sábado, 28 de março de 2020

Dia 13* - Frankly, Miss Scarlett, I don't give a damn



Twas a dark day in Dallas, November '63
A day that will live on in infamy
President Kennedy was a-ridin’ high
Good day to be livin' and a good day to die
Being led to the slaughter like a sacrificial lamb
He said, "Wait a minute, boys, you know who I am?"
"Of course we do. We know who you are."
Then they blew off his head while he was still in the car
Shot down like a dog in broad daylight
Was a matter of timing and the timing was right
You got unpaid debts; we've come to collect
We're gonna kill you with hatred; without any respect
We'll mock you and shock you and we'll put it in your face
We've already got someone here to take your place

The day they blew out the brains of the king
Thousands were watching; no one saw a thing
It happened so quickly, so quick, by surprise
Right there in front of everyone's eyes
Greatest magic trick ever under the sun
Perfectly executed, skillfully done
Wolfman, oh wolfman, oh wolfman howl
Rub-a-dub-dub, it's a murder most foul

Hush, little children. You'll understand
The Beatles are comin'; they're gonna hold your hand
Slide down the banister, go get your coat
Ferry 'cross the Mersey and go for the throat
There's three bums comin' all dressed in rags
Pick up the pieces and lower the flags
I'm going to Woodstock; it's the Aquarian Age
Then I'll go to Altamont and sit near the stage
Put your head out the window; let the good times roll
There's a party going on behind the Grassy Knoll
Stack up the bricks, pour the cement
Don't say Dallas don't love you, Mr. President
Put your foot in the tank and step on the gas
Try to make it to the triple underpass
Blackface singer, whiteface clown
Better not show your faces after the sun goes down
Up in the red light district, they've got cop on the beat
Living in a nightmare on Elm Street

When you're down in Deep Ellum, put your money in your shoe
Don't ask what your country can do for you
Cash on the ballot, money to burn
Dealey Plaza, make left-hand turn
I'm going down to the crossroads; gonna flag a ride
The place where faith, hope, and charity died
Shoot him while he runs, boy. Shoot him while you can
See if you can shoot the invisible man
Goodbye, Charlie. Goodbye, Uncle Sam
Frankly, Miss Scarlett, I don't give a damn

What is the truth, and where did it go?
Ask Oswald and Ruby; they oughta know
"Shut your mouth," said the wise old owl
Business is business, and it's a murder most foul

Tommy, can you hear me? I'm the Acid Queen
I'm riding in a long, black limousine
Riding in the backseat next to my wife
Heading straight on in to the afterlife
I'm leaning to the left; got my head in her lap
Hold on, I've been led into some kind of a trap
Where we ask no quarter, and no quarter do we give
We're right down the street from the street where you live
They mutilated his body, and they took out his brain
What more could they do? They piled on the pain
But his soul's not there where it was supposed to be at
For the last fifty years they've been searchin' for that

Freedom, oh freedom. Freedom cover me
I hate to tell you, mister, but only dead men are free
Send me some lovin'; tell me no lies
Throw the gun in the gutter and walk on by
Wake up, little Susie; let's go for a drive
Cross the Trinity River; let's keep hope alive
Turn the radio on; don't touch the dials
Parkland hospital, only six more miles

You got me dizzy, Miss Lizzy. You filled me with lead
That magic bullet of yours has gone to my head
I'm just a patsy like Patsy Cline
Never shot anyone from in front or behind
I've blood in my eye, got blood in my ear
I'm never gonna make it to the new frontier
Zapruder's film I seen night before
Seen it 33 times, maybe more
It's vile and deceitful. It's cruel and it's mean
Ugliest thing that you ever have seen
They killed him once and they killed him twice
Killed him like a human sacrifice

The day that they killed him, someone said to me, "Son
The age of the Antichrist has only begun."
Air Force One coming in through the gate
Johnson sworn in at 2:38
Let me know when you decide to thrown in the towel
It is what it is, and it's murder most foul

What's new, pussycat? What'd I say?
I said the soul of a nation been torn away
And it's beginning to go into a slow decay
And that it's 36 hours past Judgment Day

Wolfman Jack, speaking in tongues
He's going on and on at the top of his lungs
Play me a song, Mr. Wolfman Jack
Play it for me in my long Cadillac
Play me that "Only the Good Die Young"
Take me to the place Tom Dooley was hung
Play St. James Infirmary and the Court of King James
If you want to remember, you better write down the names
Play Etta James, too. Play "I'd Rather Go Blind"
Play it for the man with the telepathic mind
Play John Lee Hooker. Play "Scratch My Back."
Play it for that strip club owner named Jack
Guitar Slim going down slow
Play it for me and for Marilyn Monroe

Play "Please Don't Let Me Be Misunderstood"
Play it for the First Lady, she ain't feeling any good
Play Don Henley, play Glenn Frey
Take it to the limit and let it go by
Play it for Karl Wirsum, too
Looking far, far away at Down Gallow Avenue
Play tragedy, play "Twilight Time"
Take me back to Tulsa to the scene of the crime
Play another one and "Another One Bites the Dust"
Play "The Old Rugged Cross" and "In God We Trust"
Ride the pink horse down the long, lonesome road
Stand there and wait for his head to explode
Play "Mystery Train" for Mr. Mystery
The man who fell down dead like a rootless tree
Play it for the Reverend; play it for the Pastor
Play it for the dog that got no master
Play Oscar Peterson. Play Stan Getz
Play "Blue Sky"; play Dickey Betts
Play Art Pepper, Thelonious Monk
Charlie Parker and all that junk
All that junk and "All That Jazz"
Play something for the Birdman of Alcatraz
Play Buster Keaton, play Harold Lloyd
Play Bugsy Siegel, play Pretty Boy Floyd
Play the numbers, play the odds
Play "Cry Me A River" for the Lord of the gods
Play Number 9, play Number 6
Play it for Lindsey and Stevie Nicks
Play Nat King Cole, play "Nature Boy"
Play "Down In The Boondocks" for Terry Malloy
Play "It Happened One Night" and "One Night of Sin"
There's 12 Million souls that are listening in
Play "Merchant of Venice", play "Merchants of Death"
Play "Stella by Starlight" for Lady Macbeth

Don't worry, Mr. President. Help's on the way
Your brothers are coming; there'll be hell to pay
Brothers? What brothers? What's this about hell?
Tell them, "We're waiting. Keep coming." We'll get them as well

Love Field is where his plane touched down
But it never did get back up off the ground
Was a hard act to follow, second to none
They killed him on the altar of the rising sun
Play "Misty" for me and "That Old Devil Moon"
Play "Anything Goes" and "Memphis in June"
Play "Lonely At the Top" and "Lonely Are the Brave"
Play it for Houdini spinning around his grave
Play Jelly Roll Morton, play "Lucille"
Play "Deep In a Dream", and play "Driving Wheel"
Play "Moonlight Sonata" in F-sharp
And "A Key to the Highway" for the king on the harp
Play "Marching Through Georgia" and "Dumbarton's Drums"
Play darkness and death will come when it comes
Play "Love Me Or Leave Me" by the great Bud Powell
Play "The Blood-stained Banner", play "Murder Most Foul"

Prémio Nobel da Literatura 2017

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