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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

… Sobre metade da Humanidade…

 


… também sempre me senti incomodada com mostrar sensualidade.
para quem viveu no Porto nos anos 60-70-80, do século passado, não é novidade, o que as meninas, adolescentes, jovens mulheres, sofriam a andar na rua. e isso fica. e isso molda.
até hoje, esconder a sensualidade é o meu lema diário.
já a gargalhada… essa não tenho controlo nenhum!

…não importa…

 


…fiquei curiosa com o sketch da sobremesa ...




... mas só consegui ter o alcance da coisa quando vi o sobremesa 2, feito 10 anos depois...




... é realmente muito bom!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ele não Gostou * Pág. 23

...ou eles e elas não gostam. Há círculos de pessoas que funcionam muito bem com "sorrisos falsos". Parece que os estados de espírito verdadeiros não podem ser partilhados. Ou já não reconhecidos, de tantos falsos nos circundarem?... Ou de tão cor de rosa se querer a vida, qualquer nuvem que seja nesse céu cristalino, desfeia a fotografia.
É como na minha infância, a mãe me educar para me saber comportar: sentar direitinha, segurar bem nos talheres, não pôr os cotovelos na mesa, não tirar macacos do nariz, não interromper os adultos, não fazer cara triste, 
não chorar, não discutir, não gritar.
Mostrar os nossos "intestinos" choca mesmo os que nos deveriam ser mais próximos.
Ninguém tem coragem de se pôr na pele do outro, porque

"Estar vivo aleija"?

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Aquele Momento * Pág. 19

de tanto não querer passar por "aquele momento", atirei-me de cabeça. Achei que no Face seria como os outros que têm muitos amigos, fazem muitas coisas, são sempre felizes, até perceber, ao contrário de L.P. Hartley, que o presente é um país estrangeiro: eles fazem as coisas de outra maneira aqui.
À dias estive em Braga. A sensação é que eles vivem ainda no meu presente, em que fazem as coisas da mesma maneira que eu e é tão bom, tão melhor... No coração entra o calor e é impossível não ficar concentrada a ouvir todas as respostas que me dão, como se estivessem a falar estrangeiro e fosse preciso ouvir tudo com muita atenção.
O país é pequeno mas as culturas são muitas. Ainda bem para mim. Hei-de voltar a Braga. Hei-de voltar ao MEU presente.

domingo, 23 de junho de 2019

A sentir-se controlado * Pág. 115

Instagram, Twitter, Facebook...
Foram chegando devagarinho...
A mim apanhou-me desprevenida O Face e o Messenger por inerência...
À 8 dias que desliguei a conta e de repente sinto-me órfã: não há "plins!", não há Likes, não sei onde andam os meus "amigos"...
Pensei que o telefone podia tocar, aproximando alguém que tivesse dado pela minha falta... Não tocou... A S S U S T A D O R ...
Como funcionam hoje as redes de pessoas que pensei me serem próximas?
Como organizar a minha vida sem estes sinalizadores, alertas...?
Voltei ao blogue 9 anos depois e percebo a minha dificuldade de expressão, sem os links de musica, sem emojis, sem gifs. Só letras que em grupo fazem palavras que em conjunto fazem texto, que me obrigam a pensar antes de escrever. Deixou de ser automático, preguiçoso, em modo robot.

sábado, 22 de junho de 2019

Recomeçar

Acabei de ler "Estar vivo aleija". O que gostaria, ou aliás, o que me proponho, sim porque estou a dar um passo em frente na minha vida, é comentar os textos do Ricardo Araújo Pereira, sem os copiar, indicando o título e a página a que me refiro. Perceber que só assim tenho oportunidade de falar, sim porque nesta altura da vida, falar só escrevendo, já que conversar como implica pelo menos um interlocutor, é uma atividade em vias de extinção. Não quero generalizar... Prontus, exceto o meu filho e o meu irmão! Não acho nada mau chegar aos 57 anos com 2 interlocutores, ah pois não! Voltando à minha empreitada, o livro é tão rico em experiências corriqueiras, aquelas que me criam mossas todos os dias, que acho ter pano para mangas nos próximos tempos. Como tempo é espaço que tenho com fartura, vamos ver no que dá...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Aquele mês de Agosto

8.30 - José Silva acorda e constata que a sua casa foi assaltada durante a noite. Espreguiça-se. Toma banho tentando poupar a agua, toma o pequeno almoço tentando poupar o leite e põe-se a caminho do emprego tentando poupar os sapatos.

9.00 - empurra o carro até à bomba de gasolina e é assaltado duas vezes: a primeira pela gasolineira, que voltou a aumentar os preços do combustivel; a segunda por criminosos armados, que lhe levam o pouco que ainda lhe restava na carteira. Boceja. Conclui que prefere os segundos assaltantes, na medida em que roubam menos e com menos frequencia. Nota que, apesar disso, a policia não faz qualquer esforço para apanhar os primeiros.

10.00 - Já na estrada, é vitima de carjacking. Encolhe os ombros. Prossegue a pé

10.05 - Um gang tenta assaltá-lo. Explica que ficou sem a carteira num assalto anterior.

10.10 - Outro gang tenta asslatá-lo. Fornece a mesma explicação. Os membros do gang colam-lhe um autocolante na lapela para que futuros meliantes saibam que já foi assaltado nesse dia e evitem perder tempo com ele. Recomendam-lhe que retire o autocolante assim que voltar a transportar valores.

11.30 - Vai ao banco levantar dinheiro.

11.32 - Crimonosos armados irrompem no banco. Clientes e funcionários formam calmamente uma fila e tiram senhas para serem assaltados por ordem.

11.35 - O criminalista Moita Flores irrompe no banco e começa a comentar o assalto junto de um grupo de clientes. Tece várias considerações sobre um novo tipo de criminalidade violenta que parece estar a aumentar no nosso país, aponta as limitações da polícia e sublinha as incongruências do novo código de processo penal. Alguns clientes oferecem-se para serem sequestrados, caso os assaltantes lhes garantam que os levam para longe do criminalista Moita Flores.

11.45 - O criminalista Moita Flores interpela os assaltantes e comunica-lhes que o método que escolheram para levar a cabo o assalto não é o melhor, criticando sobretudo a não utilização de luvas e tecendo alguns reparos ao plano de fuga, que considera extremamente frágil.

11.46 - Um dos assaltantes dispara duas vezes sobre a perna do criminalista Moita Flores

11.47 - Clientes e funcionários do banco homenageiam os assaltantes com um forte aplauso.

17.30 - Depois de vários horas de sequestro, o assalto termina. A polícia detém os criminosos, resgata os reféns e amordaça o criminalista Moita Flores, para que vá receber assistência hospitalar.

18.00 - Por sorte, mal acaba de sair do banco, José Silva encontra o seu carro abandonado na berma da estrada. Entra no veículo e dirige-se para casa.

18.05 - É detido pela policia por se encontrar a conduzir um carro que foi usado em diversos crimes.

20.00 - É identificado e preso. Na cela, verifica que o relato da sua vida é extraordinariamente demagógico e conclui que toda a sua existência podia ter sido inventada por Paula Portas. Chora.

Ricardo Araújo Pereira in "Boca do Inferno", Revista Visão, 28 de Agosto de 2008