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domingo, 13 de setembro de 2020

"...um livro para crianças grandes"... *

 

Jennifer Bowman

"As pedras ressoavam a outrora e a poesia era um evaporar-se de encontro às fragrâncias do lusco-fusco. O ar ventilava-se ao longo das frestas menos evidentes e em cada canto repercutiam pensamentos e sensações que à primeira não se definiam."*



Justin Twigg

"O rumor de um açude despertava-lhes pronúncios de aveludamento."*



Max Pipe


"Como sugava poesia por todas as raízes e ouvia o amor ao crepúsculo, deram-me liberdade incondicional."*



Salvador Dali


"Nas coisas que se viam transpirava uma meia loucura de falta de iniciativa. Parecia-lhe que tudo olhava para o não-te-rales. As formas incidiam-se de um fatalismo medonho, como a exibir desfiles de faces sanhudas e torvados sentimentos(...)"*

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* Ruben A. in A Torre da Barbela

terça-feira, 25 de agosto de 2020

"Será tarde demais para educar o olho?"

John Singer Sargent (pág. 232)
Pierre Bonnard (pág. 232)
































"São os únicos brancos." (página 138)
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poizé...foi preciso chegar a mais de meio do livro para EUzinha perceber que, se toda a trama se passa na África do Sul,  8 anos depois do fim do apartheid, a tensão existente ao longo da história se passa entre os lados opostos da barricada que é o ódio. Para mim, a essência deste livro é o ÓDIO acrescentado de todos os seus sinónimos que também se encontram neste livro, conforme as situações: antipatia, aversão, cólera, gana, ira, malquerença, odiosidade, raiva, rancor, repugnância, repulsa, sanha.
Perceber que este ódio não desaparece por obra e graça do divino espírito santo:
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"- Lucy é a nossa benfeitora - afirma Petrus; e, depois, virando-se para Lucy: - És a nossa benfeitora.
Pareceu-lhe uma palavra de mau gosto, uma faca de dois gumes, amargando o momento. Mas pode-se culpar Petrus? A linguagem que utiliza com tanta segurança é, se ele soubesse, esgotada, friável, comida por dentro como se por térmitas. Apenas os monossílabos podem ser considerados de confianças e, mesmo assim, nem todos.
O que pode ser feito? Nada que ele, o ex-professor de comunicação, consiga imaginar. Nada além de começar pelo abecê. Quando as palavras compridas começassem a surgir reconstruídas, purificadas, novamente de confiança, ele já há muito que teria morrido."
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mas a história é também sobre o medo de envelhecer:
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"Ele vagueia pelo jardim. Começa a sentir-se angustiado. Não apenas por não saber o que fazer consigo mesmo. [...]Pela primeira vez, compreende como se sentirá quando for velho, cansado até aos ossos, sem esperança, sem desejos, indiferente em relação ao futuro. Afundado numa cadeira de plástico por entre os odores a penas de galinha e maçãs apodrecidas, sente o seu interesse pela vida a escoar-se gota a gota. Pode demorar semanas, pode demorar meses até ficar completamente seco, mas está a sangrar. Quando este processo terminar, será como a carcaça de uma mosca numa teia de aranha, quebradiço ao toque, mais leve do que farelo, pronto a flutuar e desaparecer."
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parece que depois de escrever este livro teve que se resguardar na Austrália.

escritor assombroso, amargo, politicamente incorreto.




segunda-feira, 20 de julho de 2020

caçar coelhos só com sílabas

a "culpa" é dele .
que palavras estas!
é importante conhecer mas também é doloroso saber que alguém se sente assim.
quase heróico.
não mártir.
incómodo.


erro de sintaxe

De comunicação não percebo nada
gosto é de genocídios de palavras
de caçar coelhos só com sílabas
disparar sobre tudo
apenas com uma junção de letras
até ficar sozinha, só eu
e a minha incompreensão
que nunca é a dos outros, que
usam sempre outra sintaxe.

Não sou capaz é de silêncio
não dá lucro, não faz viver
o silêncio incorpora sempre
uns braços cruzados, uma desistência
pendurada na língua
um ar de lesma muda, sem opinião
e eu até posso perder
mas aos pulos, de socos no ar
montada num canhão de bandeira
hasteada a disparar a minha sintaxe
não a dos outros, que é deles
não quero nada que não me pertença, nunca quis
e das poucas coisas que tenho
é o que me sai da boca
que mesmo que já mastigado
não me deixa a barriga vazia.


Se não me faço entender
é porque nem sempre é fácil admitir que
sou a primeira a render-me
tantas vezes que nem aqui estou
que nunca sei quando venho
tantas vezes não quero desistir
que nem chego ao começo
já sei que é uma ousadia querer compreensão
de nada serve,
cada um tem uma, muito própria
e a subjectividade é inabalável

Seriam precisos infinitos livros para
me exprimir, para chegar por palavras
à compreensão, à minha.
Mas mesmo assim,
nunca seria a dos outros.



Cláudia R. Sampaio





quarta-feira, 18 de março de 2020

Dia 3* - as cores do tempo

...e a colega partilha que teve uma insónia terrível:
"estou a começar a dar com a cabeça nas paredes.
estar tanto tempo sozinha está a fazer-me muito mal.
penso no passado, penso no presente, penso no futuro."

falei com a prole sobre o assunto:
"não te preocupes mãe, que as pessoas estão na ressaca.
depois adaptam-se."

é bom partilhar estas amofinações com os que nos são mais próximos...

STOP CONTÁGIO

FESTIVAL EU FICO EM CASA

as cores do tempo

*Sugestão de utilização

terça-feira, 17 de março de 2020

Dia 2* - SST

...e ela vestindo o seu papel de TSST, alerta todos os dias para o arejamento das salas de trabalho:
"já arejou a sua sala hoje? O ar da manhã é o mais puro!"
...para todos os dias ouvir dizer:
"hoje ? é que está muito frio..."

...e é isto...............





sexta-feira, 13 de março de 2020

prova de amor

...e o jovem casal beijava-se à entrada do supermercado como se essa fosse a derradeira prova de amor...


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

as ambiguidades da vida são a cores

gostei muito deste filme. Até ao fim manteve-me em suspenso e curiosa com as escolhas do realizador. Não são reveladas as razões das escolhas e obrigou-me a encontrar as minhas. Raramente foram coincidentes.