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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Candeias que vão à frente alumiam duas vezes

durante os 2 anos que tive o prazer de estar dentro da Rádio, só uma vez fiz emissão entre as 2:00 e as 6:00 horas da madrugada. As rádios "piratas" permitiam estes desaforos: apesar da emissão terminar às 2:00 horas da manhã, ninguém me impediu de fazer esta gracinha. Foi um dos momentos mais extraordinários que passei nas ondas hertzianas: quem nos ouve quer conversar, que se fale dos problemas locais, de mandar beijos e abraços à família, em suma que se lhes faça companhia na noite escura. Até houve um padeiro que me levou bolinhos acabadinhos de cozer!

José Candeias  faz companhia na Antena 1, entre as 5:00 e as 7:00, com uma alegria de miúdo pequeno que desfruta do brinquedo que lhe colocam nas mãos todos os dias.

Programas de autor têm este problema: quando o dito fica impossibilitado de o realizar é um ai jesus.
Desde Outubro de 2019 que alguém tentou substituir esta alma. Foi desolador.

Eu só ouço os últimos 10 minutos do programa, antes do noticiário das 7:00 (para saber se vale a pena levantar-me ou se o mundo acabou e posso ficar a dormir mais um pocachito) e noto a alegria deste animador fantástico, que acompanha os que fazem a sua vida de madrugada e que contam exclusivamente com esta companhia. Duas horas de Serviço Público, despretensioso e feito para quem o ouve.
Bem-Haja José Candeias!!


sábado, 11 de janeiro de 2020

todas as noites eram de luar

...na Antena 1 entre Abril de 1984 e Dezembro de 1985, de segunda a quinta-feira, entre as 21h30 e as 23h30.


...era aí que nos colávamos e gravávamos em cassete o que podíamos... de sexta a segunda degustavam-se as gravações...




sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

amanhecer descobrindo

David Ferreira tem uma rubrica preciosa na Antena 1.

Vinicius e Baden Powell encontram-se...




...e dá nisto.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

o mistério, le mystère, the mystery






...decorria o ultimo terço do ano da graça de 1986....
depois de curso terminado a saída era dar aulas. Fui colocada (para desgraça dos alunos) e atabalhoadamente entrei no desolador mundo do trabalho. Conheci um professor de geografia, o D., que me desafiou para me atirar no desconhecido: A RÁDIO.
A primeira experiência foi uma rubrica de 10 minutos, dentro de um programa de D., que seria de leitura de textos e música. Numa autentica tempestade de ideias, entre nós os dois, ficou assim decidido. O meu cantinho, dedicado a mulheres cantoras e mulheres escritoras, chamar-se-ia Sereias Nocturnas e o indicativo o tema The Evening Gathering, deste fabuloso álbum.
Acho bem relembrar que em 1986 não existia internet, youtube, spotify........

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Teimosias - 1

...sou eu que estou mais atenta ao assunto ou as pessoas estão também mais atentas ao assunto....?

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...a ansiedade está em níveis cada vez mais baixos... este fim de semana nem me lembrei das tecnologias... 

Resultado de imagem para yes!  !

sábado, 20 de julho de 2019

A Coluna Vertebral

Encontros Imediatos

O eterno João Gobern em (des)encontros com a Margarida Pinto Correia. (des) porque acho que realmente a maior parte das vezes não funciona muito bem mas não é por isso que escrevo esta memória.

A escolha musical de João Gobern:



O programa de hoje tem DOIS ACTORES COM LETRAS ENORMES.

A Coluna Vertebral da Arte.

A escolha musical da Ana Bola:




O momento de José Pedro Gomes:





O momento de Ana Bola

Por que é que os Teatros estão vazios? Pura e simplesmente porque o público não vai lá. De quem é a culpa? Unicamente do Estado. Se cada um de nós se visse obrigado a ir ao Teatro, as coisas mudavam completamente de figura. Por que não instituir o teatro obrigatório? Por que é que se instituiu a escola obrigatória? Porque nenhum aluno ia à escola se não fosse obrigado. É verdade que era mais difícil instituir o teatro obrigatório, mas com boa vontade e sentido do dever, não é facto que tudo se consegue?
E além do mais, não será o teatro uma escola? Então…
O teatro obrigatório podia, ao nível das crianças, iniciar-se com um repertório que apenas incluísse contos como o “Pequeno Polegarzão” ou “O Lobo Mau e as Sete Brancas de Neve”…
Numa grande cidade pode haver – admitamos – cem escolas. Com mil crianças por escola todos os dias, teremos cem mil crianças. Estas cem mil crianças vão de manhã à escola e à tarde ao teatro obrigatório. Preço de entrada por pessoa-criança: cinquenta cêntimos – a expensas do Estado, é claro – dá, cem teatros cada um com mil lugares sentados: 500 euros por teatro, faz portanto 50.000 euros para cem teatros, por cidade.
Quantos actores não arranjavam trabalho! Instituindo, distrito a distrito, o teatro obrigatório, modificava-se por completo a vida económica. Porque não é bem a mesma coisa pensarmos: “Vou ou não vou hoje ao teatro?” ou pensarmos: “Tenho que ir ao teatro!”. O teatro obrigatório levava o cidadão em causa a renunciar voluntariamente a todas as outras estúpidas distracções, às cartas, às discussões políticas na taberna, aos encontros amorosos e a todos esses jogos de sociedade que nos tomam e devoram o tempo todo.
Sabendo que tem de ir ao teatro, o cidadão já não será forçado a optar por um espectáculo, nem a perguntar-se se irá ver o Fausto em vez de outra coisa qualquer – não, assim é obrigado a ir, cause-lhe o teatro horror ou não, trezentas e sessenta e cinco vezes por ano ao teatro. Ir à escola também causa horror ao menino da escola e no entanto ele lá vai porque a escola é obrigatória. Obrigatório! A imposição! Só pela imposição é que hoje se consegue obrigar o nosso público a vir ao teatro. Tentou-se, durante dezenas e dezenas de anos, convencê-lo com boas palavras e está-se a ver o resultado! Truques publicitários para atrair as massas, no género de “A sala está aquecida” ou “É permitido fumar no foyer durante o intervalo” ou ainda “Os estudantes e os militares, desde o general ao soldado raso, pagam meio bilhete”, todas estas astúcias não conseguiram encher os teatros, como estão a ver!
E tudo o que se gasta num teatro com publicidade passará a ser economizado a partir do momento em que o teatro se torne obrigatório. Será porventura necessário pagar publicidade para se mandar as crianças à escola obrigatória?
Como também deixará de haver problemas com o preço dos lugares. Já não dependerá da condição social, mas das fraquezas ou da invalidez dos espectadores.
Da primeira à quinta fila, ficarão os surdos e os míopes!
Da sexta à décima, os hipocondríacos e os neurasténicos!
Da décima à décima quinta, os doentes da pele e os doentes da alma.
E os camarotes, frisas e galerias serão reservados aos reumáticos e aos asmáticos.
Tomemos por exemplo uma cidade como Lisboa: descontando os recém-nascidos, das crianças com menos de oito anos, dos velhos e entrevados, podemos contar com cerca de dois milhões de pessoas submetidas ao teatro obrigatório, o que é um número bastante superior ao que o teatro facultativo nos oferece.
Ensinou-nos a experiência que não é aconselhável que os bombeiros sejam voluntários e por isso se constituiu um corpo de bombeiros. Por que razão o que se aplica aos bombeiros não se aplicará também ao teatro? Existe uma íntima relação entre os bombeiros e o teatro. Eu que ando pelos bastidores dos teatros há tantos anos, nunca montei nem vi uma só peça que não tivesse um bombeiro presente na sala.
O T.O.U., Teatro Obrigatório Universal, que propomos, chamará ao teatro numa cidade como Lisboa*, cerca de dois milhões de espectadores. É pois necessário que, numa cidade como Lisboa, haja: ou vinte teatros de cem mil lugares, ou quarenta salas de cinquenta mil lugares, ou cento e sessenta salas de doze mil e quinhentos lugares, ou trezentas salas de seis mil duzentos e cinquenta lugares, ou seiscentas e quarenta salas de três mil cento e vinte cinco lugares ou dois milhões de teatros de um único lugar.
É preciso que cada um trabalhe no Teatro para se dar conta da força que daí nos pode advir, quando o ambiente de uma sala à cunha, com o público de – digamos – cinquenta mil pessoas nos arrebata!
Aqui tendes o verdadeiro meio de ajudar os teatros que estão pelas ruas da amargura. Não se trata de distribuir bilhetes à borla.
Não, há que impor o teatro obrigatório! Ora quem poderá impor senão… o ESTADO.

Karl Valentin

..............................

Explicar o (sub)mundo da Arte de Representar em Portugal curto e grosso.
Pode perfeitamente ser replicado para qualquer área profissional:

A MÃO-DE-OBRA ESTORVA!!!!

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Terminar uma amizade custa muito

 POEMA DAS ÁRVORES

 As árvores crescem sós. E a sós florescem.
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exaram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua .
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.

António Gedeão (1906-1997),
in “Obra Poética”, edições JSC, 2001.

"Não se adicionam os amigos do peito", diz a Inês Maria Menezes.
Estou com um nó na garganta.
Terminar amizades ao longo da "volta a Portugal em bicicleta" que tem sido a minha vida eu já dou de barato... As mudanças de morada cortaram a entrega de correspondência, os carris da vida divergiram tanto que nunca mais chegaram a estação nenhuma, sei lá....
Terminar amizades sem sair do sítio, foi a primeira vez que me aconteceu. Pela boca seca e tremor no corpo, percebo agora que custa muito.
Não tenho mais a acrescentar a este fabuloso Amor é, pois sei agora que o luto tem que ser feito, não terei a sorte de voltar a ter amigos do peito tão próximos , geograficamente, de mim, mas a vida continua a valer a pena e, a amizade, a relação mais importante na vida.

S´il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J´oublierai à la fois mes larmes et mes peines




quarta-feira, 17 de julho de 2019

A solidão mata

O Amor Foi assim hoje




A diferença de género é mesmo assim, pelo que conheço. Mas não terá a ver ainda com a educação conservadora? O homem não chora? A mulher fala, fala, fala?

Eu sinto muito falta da interação com os outros, principalmente de gargalhar.

domingo, 14 de julho de 2019

I had never really known you

O Amor foi isto hoje de manhã

I Don't Know What I Can Save You From
Kings of Convenience

You called me after midnight,
It must have been three years since we last spoke.
I slowly tried to bring back
The image of your face from the memories so old.
I tried so hard to follow,
But didn't catch a half of what had gone wrong,
Said "I don't know what I can save you from. "
I don't know what I can save you from.
I asked you to come over,
And within half an hour,
You were at my door.
I had never really known you,
But I realized that the one you were before,
Had changed into somebody for whom
I wouldn't mind to put the kettle on.
Still I don't know what I can save you from.
I don't know what I can save you from.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

inesperado

Vivemos com o inesperado todos os dias. Surpreende-nos, prega partidas, prepara! O inesperado prepara-nos, porque exige reacções, decisões e posições. (...). E, ali, de repente, à nossa frente, o inesperado exige de nós, incita a nossa inteligencia, puxa a nossa capacidade, pede a nossa lucidez.
O inesperado são surpresas que a vida nos faz. É um presente que não se espera, um telefonema que não se conta, um desafio que não se conhece.
O inesperado é a vida a acontecer, é o destino a falar. E quando o destino nos fala desta maneira, nesta linguagem, nós podemos admiravelmente corresponder com a nossa decisão e com a nossa coragem.
Ana Margarida Oliveira
Joaquim Cannas
in
Admirável Mundo



domingo, 28 de outubro de 2007

como devia ser ao Domingo de manhã




“Quando tomo duche de manhã acho que sou africano.”
Erm... mas como? Haverá LSD ou outro alucinogénio no Taiti Duche com que José Cid se lava? Estará o Monói fora do prazo? Será que ele bebe o conteúdo do seu frasco de gel duche e começa a ver fartas savanas na sua banheira? Como é que ele acha que só por estar a tomar banho passa a ser o Bonga? Talvez José Cid esteja apenas a tentar vender-se como africano para ver se a Angelina Jolie ou a Madonna o adoptam. Ou talvez mesmo a Floribella, que além de gostar de pretinhos pode também apreciar olhos de vidros.
Mas a bela entrevista continua, com José Cid a ensinar-nos mais sobre o funcionamento do corpo humano do que aqueles desenhos animados do “Era Uma Vez A Vida”. À pergunta “sabe qual é o seu ponto g”, o cantor não está com meias medidas e responde:
“Qualquer uma das minhas cabeças, inclusive a dos dedos”.
Já tínhamos ouvido falar de monstros de duas cabeças, mas achávamos que se ficavam apenas pela parceria Menezes/Santana. Mas parece que estamos agora perante um monstro com várias cabeças. Quantas? Ninguém sabe ao certo. Ninguém teve coragem ou estômago para contar. Mas calma, porque parece que Cid tem uma cabeça predilecta: uma à qual se refere com fofura e carinho como “a central”. Pelo menos, quando lhe perguntaram qual era a parte mais sensual do corpo ele respondeu sem rodeios “é a cabeça central”. Para nós, a melhor cabeça de central é a do Polga do Sporting. Quanto às cabeças de José Cid, o tema já começa a assustar-nos. Pelo que vamos acelerar daqui para fora a toda a velocidade, deixando apenas um bilhetinho com uma pergunta preso no pára-brisas do cantor: “e a cabeça central, também tem o capachinho torto?”.



não percam na Antena 3
ao Domingo.....

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

triste sinal

"A Hora do Lobo", o programa que António Sérgio mantinha há 10 anos na Rádio Comercial (desde 2006 sob o nome de "Nas Horas"), teve a sua última emissão na madrugada do passado sábado. É um facto sobejamente conhecido que os programas de autor têm vindo a desaparecer, mas, ainda assim, não deixa de ser surpreendente e significativo que a estação tenha decidido não incluir na sua nova grelha uma das vozes inconfundíveis e um dos maiores divulgadores de música alternativa na rádio portuguesa. É um triste sinal.


in Actual/Expresso, de 22 de Setembro



segunda-feira, 17 de setembro de 2007

fragmentos

também há ausência na intima fracção





"Interessa-me sempre o ausente pelo discurso da sua ausência; situação estranha, na verdade; o outro está ausente como referente, presente como interlocutor. Desta singular distorção nasce uma espécie de presente insustentável; estou preso entre dois tempos: o tempo de referencia e o tempo de alocução: partiste (por isso me lamento), estás aí (pois falo contigo). Sei o que é o presente, esse tempo difícil: um puro pedaço de angustia."






Roland Barthes, in Fragmentos de um discurso amoroso