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segunda-feira, 13 de julho de 2020

oxalá


frescura numa cultura tão impregnada de catolicismo.
na RTP 2, claro está 😎.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

domingo, 23 de fevereiro de 2020

alfa

a musica é árabe.
o shíuuuuuuu é universal.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

linguagem não verbal

...nunca tinha estado tão perto destes magníficos animais, quero dizer, assim tão livres. Não sei se foram abandonados. Estão relativamente bem tratados e nesta época do ano erva não lhes falta. Fizeram uma exibição de vitalidade, vigor, força, velocidade que me deixaram um pouco receosa mas completamente siderada. Porquê essa demonstração? O espaço tinha sido invadido? Queriam fazer amizade? Quando se encheu a caldeira do poço de água fresca, eles aproximaram-se e beberam sofregamente, talvez durante uns dez minutos. A seguir foram à sua vida e não mais se aproximaram.
Os humanos têm uma enorme dificuldade em perceber a linguagem não verbal de tanto se utilizar e abastardar por vezes a linguagem verbal. Para mim foi uma lição de humildade perante a inteligência destes animais.
É preciso estar alerta de todos os sinais até com os humanos... eu desconfio que 99% me passam ao lado.



...mais nada do que água...


 

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Gilda e Ibn-Almundim






...e assim temos neve tão bonita e quentinha iludindo a saudade.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

biombo da escrita

A verdadeira mão que o poeta estende
não tem dedos:
é um gesto que se perde
no próprio acto de dar-se

O poeta desaparece
na verdade da sua ausência
dissolve-se no biombo da escrita

O poema é
a única
a verdadeira mão que o poeta estende

E quando o poema é bom
não te aperta a mão:
aperta-te a garganta

prosaico e desmistificador

[...]No momento, porém, em que um prosaico e desmistificador manto de nuvens se desloca, encobrindo o sol, tenho subitamente a certeza de que em mim existem profundezas e baixios ocultos, a partir dos quais coisas imprevistas podem surgir a qualquer instante para me arrastarem consigo. Nessas alturas costumo pagar rapidamente e procurar um entretenimento fugaz, na esperança de que o sol regresse depressa, dando novamente crédito ao consolo da superficialidade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

sábado, 25 de janeiro de 2020

aproveitando as saudades do sol


Enriquecimento com causa
Tem vergonha de falar sobre isso. Ficou multimilionário à custa de uma canção sobre a pobreza.

Filho de zapper sabe zappar
Ao fim de quase doze meses, começo a perceber que o meu filho tem algumas parecenças comigo. O petiz também gosta de fazer zapping entre os brinquedos.

Depois admiram-se de o puto dar em intelectual
Sempre que o meu filho fica agitado dão-lhe um livro para as mãos.

Juvenal tem uma surpresa no multibanco
O saldo da sua vida não lhe permite novos relacionamentos.

O fim do problema
Passava a vida a limpar a imagem. Até que, um dia, sem querer, apagou-a.

A vergonha
Durante a fisioterapia tinha vergonha de dizer aos atletas que se tinha lesionado - ainda por cima com gravidade - a escrever um poema.

Márcio e a psicologia
Qual a diferença entre o meu psicólogo e aquelas pessoas que passam a vida a vasculhar os caixotes do lixo da cidade?

Do peso dos livros
Se eu dirigisse uma empresa de mudanças não aceitava pedidos de cidadãos com pretensões literárias.

Peço-me desculpa por aquilo de ontem
Em todos os sítios onde trabalhava incompatibilizava-se com alguém. Resolveu, por isso, trabalhar em casa. Obrigado a fazer (todos os dias de manhã) as pazes consigo.

Sophia numa empresa qualquer
- Queres que te traga alguma coisa da rua?
- Se ainda houver, poesia. E um pacote de batata frita.

Da desfragmentação da vida de Márcio
Depois de ter deixado os discos do computador a desfragmentar de um dia para o outro, tentou fazer o mesmo com a sua vida pessoal. Sem resultados, até ao momento.

Motivos para festejar
Sorria, você não está a ser filmado.

mover-me apenas em direcção ao que gosto

Sei isto: a minha energia está canalizada
Para a palavra fazer, gosto da ideia de construção
E o que dela existe nos movimentos normais.
Agrada-me a palavra engenharia e o que ela
Representa: não saias de um sitio sem deixares algo
Atrás de ti. Dirijo-me apenas às coisas que me excitam
Positivamente e me levam a fazer outra coisas, dirijo-me
Às pessoas de que gosto, nunca às de que não gosto;
Sempre me pareceu insensato que se pare,
Nem que por um momento, de admirar, há
Sempre actos e coisas que nos ajudam
neste cálculo infernal da distância entre o dia de hoje
e a nossa morte. E qualquer pessoa dar um passo que seja
em direcção ao que não aprecia, para insultar ou derrubar,
parece-me brutal perda de tempo, uma falha grave
no órgão de admirar o mundo
(deves combater uma ou duas vezes na vida,
se combateres duzentas vezes
é porque os combates são fracos).
Não sei pois como viver. O que li e vi
Serve-me apenas para ser mais lúcido, não
Para ser melhor pessoa. Adquiri esta regra (ou nasci com ela):
- e é talvez uma moral -
mover-me apenas em direcção ao que gosto.
Se o prédio alto, escuro, feio
me impede de ver o sol, não fico a insultá-lo, não
moverei um dedo para o deitar a baixo:
contorno sim os edifícios necessários
até chegar ao espaço onde possa receber aquilo que
quero. Se chegar lá de noite, montarei acampamento.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

felizmente resta-nos la naturaleza...

Fui este fim de semana fazer o caminito del Rey, nos vizinhos do lado.
Escrevo isto porque inconscientemente tenho procurado destinos de natureza para que não tenha que ser apresentada ao very typical do folclore teatralizado para turista (que assim o exige) que tem que pagar umas moedas para fazer uma selfie com o "mascarado".
É deprimente... porque a massificação do turismo gerou idiotices (que existem porque o turista quer que seja o genuíno) como o pastel de nata de bacalhau (?!?!?).



Caminito Del Rey
El Torcal de Antequera

O turismo barato criou as visitas sem guias. Os guias credenciados são o que de melhor se tem nas deambulações por esse mundo fora. Eles são e sentem o local, prepararam-se para nos fazerem mergulhar na intensidade do local.










O estado de ansiedade que as viagens baratas de "camioneta da carreira aérea": porque temos que aproveitar, temos que aproveitar, temos que ver muito, temos que fazer muitos "check!" no mapa........................ oh canseira do mundo.
Este tipo de ATL veio preencher o vazio que se possa sentir do dia a dia rotineiro, monótono, mas acho que está a funcionar, como a necessidade compulsiva de fazer compras, para dar alguma saciação interior.
Fico atordoada só de pensar; só de pensar, porque ainda não entrei nessa máquina ansiosa, só por sorte acho eu. Agora que a Prole deixou o ninho, tenho estado mais disponível para escolher, mais ou menos, um programa por mês: coisas mais próximas, preferencialmente em Portugal. Prefiro não saber grandes pormenores  dos programas, gosto de me surpreender, de abrir os olhos e sentir o espanto a entrar pela alma dentro.




  
 


 


Depois eu, interiormente, necessito de tempo para mastigar, ruminar, matutar sobre cada imagem interior que ficou: o tempo da degustação.




... e entretanto voltamos ao nosso fado, claro

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

sábado, 9 de novembro de 2019

distopia


"Era assim que vivíamos na altura? Mas vivíamos como era costume. Toda a gente vive, a maior parte do tempo. Seja o que for que aconteça, é como de costume. Tudo é como de costume, agora. 
Vivíamos, como de costume ignorando. Ignorar não é o mesmo que ignorância, exige esforço da nossa parte. 
Nada muda de um momento para o outro; numa banheira cuja água aquecesse gradualmente morreríamos cozidos sem dar por isso. Havia histórias nos jornais, claro, cadáveres em valas ou nas matas, mortas à cacetada ou mutiladas, vitimas de violência, como se costumava dizer, mas eram histórias acerca de outras mulheres, e os homens que faziam coisas dessas eram outros homens. Nenhum deles era dos homens que conhecíamos. As historias dos jornais eram como sonhos para nós, sonhos maus sonhados por outras pessoas. Que horror, dizíamos nós, e eram, mas eram horríveis sem serem credíveis. Eram muito melodramáticos, tinham uma dimensão que não era a dimensão das nossas vidas. 
Nós éramos as pessoas que não apareciam nos jornais. Vivíamos nos espaços em branco nas margens das paginas impressas. Dava-nos mais liberdade. 
Vivíamos nos espaços entre as histórias."

quinta-feira, 31 de outubro de 2019